Soluções — Aula 6: Dados, Viés e Discriminação Algorítmica — Da Coleta à LGPD
Computação e Sociedade
Dica(Resposta) Teste 1 — Fontes de dado e reaproveitamento
- ✔ Verdadeiro — O descompasso do dado administrativo nasce de o registro existir para outro fim (cobrança) e só oferecer um proxy (custo) do rótulo desejado (necessidade). Se a gravidade fosse registrada diretamente, o rótulo desejado estaria no dado e o proxy não seria mais necessário. Errar esse item é achar que o descompasso é uma propriedade inevitável de todo dado administrativo, em vez de uma propriedade da relação entre o que foi registrado e o que o modelo precisa.
- ✗ Falso — Volume não corrige propósito. Mais registros de um proxy enviesado reforçam o viés em vez de diluí-lo: o custo continua medindo utilização, não necessidade, para cada um dos milhões de pacientes. Quem marca Verdadeiro trata o viés como ruído aleatório, que a média compensa, quando ele é sistemático.
- ✗ Falso — Os vieses do conjunto de fundo são herdados pelo modelo ajustado, por causa do aprendizado de representações opaco e incontrolável. Com dados semiestruturados (imagens, texto) é preciso avaliar o conjunto específico do problema e o conjunto de fundo. Quem marca Verdadeiro supõe que o ajuste fino apaga o que o pré-treino aprendeu.
- ✔ Verdadeiro — Dados coletados com propósito têm aparência de “limpos”, mas não estão imunes a não resposta e a manipulação. O propósito estatístico reduz o descompasso de propósito, não elimina os vieses de amostragem. Errar esse item é confundir “desenhado para estatística” com “livre de viés”.
Dica(Resposta) Teste 2 — Quatro espaços, validades e vieses
- ✔ Verdadeiro — O rótulo mede o que deveria (construto preservado), mas a amostra não representa a população em que o modelo será usado: é uma falha da passagem de amostragem, que ameaça a validade externa. O erro é atribuir tudo a “dado ruim” sem separar o que falha: medir a coisa errada (construto) é diferente de medir a coisa certa na população errada (externa).
- ✗ Falso — Cobertura perfeita elimina o viés de representação, mas não o social (o julgamento humano dos rótulos e atributos), o de preparação (limpeza, rótulos-proxy) nem o envenenamento. Cada viés entra em uma passagem própria; corrigir uma passagem não corrige as outras.
- ✔ Verdadeiro — O viés temporal ocorre quando o dado coletado sai de sincronia com o mundo por deslocamento ou deriva ao longo do tempo (deslocamento das covariáveis, das probabilidades a priori ou deriva de conceito), e ameaça a validade externa. O erro é tratar o mundo como estático depois da coleta.
- ✗ Falso — O viés social vem de vieses cognitivos humanos na medição e ameaça a validade de construto; o envenenamento é a introdução intencional de dados por um adversário, na preparação, e ameaça a validade interna. Diferem em passagem, em causa e em validade ameaçada, não só em quem rotula.
Dica(Resposta) Teste 3 — Viés social e viés de representação
- ✔ Verdadeiro — O erro está no construto (“o que é uma casa”) e na tradução dele pelos rotuladores, não nas imagens. Dar o contexto aos rotuladores (ou usar informantes locais) corrige o rótulo sem tocar no dado de satélite. Errar é localizar o problema no sensor em vez de na medição.
- ✔ Verdadeiro — É o mecanismo descrito para o viés de representação: um grupo sub-representado pesa pouco na média, então o modelo pode “ignorar suas características especiais” para satisfazer uma métrica média. Errar é supor que uma boa métrica média implica bom desempenho em cada subgrupo.
- ✗ Falso — É um problema de viés social no atributo (medição): o teste não representa bem a aptidão real de quem não tem o conhecimento cultural exigido. Coletar mais candidatos não muda o que o atributo mede; seria preciso repensar o atributo. Errar é confundir “quantos” com “o que se mede”.
- ✗ Falso — Representatividade inclui diferenças sistemáticas de qualidade: um grupo pode ter o número certo de registros e, ainda assim, registros piores (mais campos ausentes, medições menos precisas, subcontagem de censo). Contagem é condição necessária, não suficiente.
Dica(Resposta) Teste 4 — Viés temporal e viés de preparação
- ✔ Verdadeiro — A distribuição dos atributos (renda) mudou; a relação condicional rótulo-dado-atributos (renda → inadimplência) não. Essa é justamente a definição de deslocamento das covariáveis em contraste com a deriva de conceito. Errar é tratar toda mudança temporal como a mesma coisa.
- ✗ Falso — A proporção global não diz nada sobre a proporção dentro do grupo: se o grupo é pequeno e concentra as ausências, o descarte pode remover uma fração grande dele do conjunto de treino. O viés de preparação depende da correlação entre a ausência e o grupo, não do total descartado.
- ✔ Verdadeiro — É o mesmo mecanismo de “prisões como proxy de crime”: o rótulo depende do processo que o produz (o que é investigado), não só do fenômeno. Usar o registro do processo como rótulo desloca o que o modelo aprende. Errar é tratar o rótulo como observação neutra do fenômeno.
- ✗ Falso — Justamente por ser rotina, passa despercebido; mas a neutralidade depende de a ausência ser independente do grupo. Se a ausência de um atributo (por exemplo, dívida) for mais frequente para certos grupos, o descarte remove desproporcionalmente esses grupos e cria viés novo.
Dica(Resposta) Teste 5 — Proxies e discriminação indireta
- ✔ Verdadeiro — Proxy é associação estatística: a escola frequentada, numa cidade segregada, carrega a informação sobre o grupo que as colunas removidas carregavam. Errar é supor que o problema estava nas colunas específicas removidas, e não na informação que elas transportavam.
- ✔ Verdadeiro — A informação sobre o grupo continua integralmente disponível ao modelo, apenas com outro nome. É o caso extremo do mecanismo do proxy: quanto maior a associação, mais completo o retorno da informação removida.
- ✗ Falso — A regularização L1 zera coeficientes de variáveis pouco úteis para prever o rótulo; um proxy que é preditivo do rótulo (por associação com o grupo, ou por outros motivos) tende a ser mantido. Ela não distingue “informativo por mérito” de “informativo por proxy de grupo”. Errar é supor que uma técnica de seleção de atributos resolve o problema de discriminação.
- ✗ Falso — A discriminação indireta é definida pelo resultado (desvantagem sistemática a um grupo sem usar o atributo), não pela intenção. O proxy age mesmo sem que ninguém queira discriminar; é por isso que ela é tão difícil de detectar sem auditoria.
Dica(Resposta) Teste 6 — Consentimento, poder e privacidade
- ✔ Verdadeiro — Consentimento, poder e privacidade são eixos distintos: informar e permitir a recusa atenua o primeiro (e a assimetria de poder), mas não protege o dado armazenado sem salvaguardas, que é uma questão de privacidade. Errar é tratar os três como um problema só.
- ✔ Verdadeiro — Sem a possibilidade real de recusar, não há escolha, e portanto não há consentimento livre. É o argumento de que o empregador que exige o uso como condição de emprego retira do funcionário a oportunidade de consentir.
- ✗ Falso — Estar publicamente acessível não é consentimento explícito para o uso em treino de modelos; a raspagem sem consentimento explícito é tratada como problemática (poder e consentimento), mesmo quando há consentimento implícito, por exemplo por licenças. Errar é confundir acessibilidade com autorização.
- ✗ Falso — Ao consentir com o uso do dado, as pessoas abrem mão de parte da privacidade; por isso ela precisa ser protegida por outros meios (controle de acesso, dados descentralizados, minimização). Consentimento legitima o uso; não protege o dado contra vazamento ou uso indevido.
Dica(Resposta) Teste 7 — LGPD: princípios, bases legais e dados sensíveis
- ✔ Verdadeiro — O princípio da finalidade exige propósitos específicos e informados ao titular e veda o tratamento posterior incompatível com eles. Reaproveitar dado de abertura de conta para marketing de seguros, sem informação, é o descompasso de propósito que o dado reaproveitado produz.
- ✗ Falso — O art. 12 exclui os dados anonimizados do conceito de dado pessoal salvo se o processo puder ser revertido com esforços razoáveis. CEP, data de nascimento e sexo são quase-identificadores que permitem ligação com outras bases: a base continua sendo dado pessoal para a lei.
- ✗ Falso — O art. 7º, § 6º, é expresso: a dispensa do consentimento não desobriga os agentes de tratamento das demais obrigações, especialmente dos princípios gerais e dos direitos do titular. Dispensar a base não dispensa as regras.
- ✔ Verdadeiro — A letra do § 1º fala em tratamento que “revele” dado sensível, e não apenas em dado sensível declarado. A extensão a inferências estatísticas é matéria de interpretação, mas o dispositivo mostra que o critério do texto não se limita à lista.
Dica(Resposta) Teste 8 — LGPD: decisão automatizada, responsabilização e limites
- ✔ Verdadeiro — A letra do art. 20 fala em decisões “unicamente” automatizadas; um humano formal no circuito abre espaço para a alegação, sem mudar quem decide de fato. É um limite do texto, e não uma conclusão sobre o que os tribunais decidiriam.
- ✗ Falso — O § 2º existe justamente para o caso em que o controlador recusa a informação com base no segredo: nesse caso a ANPD “poderá realizar auditoria” para verificar aspectos discriminatórios. O segredo é ressalvado no § 1º, mas não é um muro final.
- ✔ Verdadeiro — O inciso III exclui o tratamento para fins exclusivos de segurança pública e de investigação e repressão de infrações penais; o § 1º o submete a legislação específica com o piso de princípios e direitos. Errar é supor que a LGPD cobre todo uso de dados pessoais.
- ✗ Falso — A inversão é uma faculdade do juiz e depende de condições: alegação verossímil, hipossuficiência para produzir a prova ou prova excessivamente onerosa. O titular ainda precisa alegar de forma verossímil. Errar é ler a inversão como automática.