O som do relógio tem a alma por fora, só ele é a noite e a noite se ignora. Não sei que distância vai de som a som, peguando, no tique, do taque do tom. Mas oiço de noite a sua presença, sem ter onde acoite meu ser sem ser. Parece dizer sempre a mesma coisa, como o que se senta e se não repousa. O som do relógio Tem a alma por fora; Ecoa o que dentro Do meu peito mora. Ah, como este inveja O taque seguro Do rival de aço, e Seu firme futuro! O toque dest'outro, Ao mudar da sorte, Ora falha, ou dispára, Mais fraco, ou bem forte. E do atrito dos anos não há quem lhe repare os sofridos danos--- Exceto sua morte.