Soluções — Aula 9: Teoria de Ensembles e Redução de Variância
Supervised Learning
Questões de Verdadeiro/Falso
Dica(Resposta) Teste 1 — Mecânica do Bagging e Preservação do Viés
- ✔ Verdadeiro — Essa é a definição exata de Bootstrap Aggregation (Breiman, 1996; ESL §8.7), onde cada réplica \(Z^{*b}\) é extraída por amostragem uniforme com reposição e as predições individuais são agregadas por média linear (regressão) ou votação majoritária (classificação).
- ✗ Falso — Pela linearidade da esperança, \(\mathbb{E}[\frac{1}{B}\sum T_b] = \frac{1}{B}\sum \mathbb{E}[T_b] = \mathbb{E}[T]\). A agregação preserva integralmente o viés original do modelo base, sendo matematicamente incapaz de mitigar o erro estrutural de modelos rígidos com subajuste (underfitting).
- ✔ Verdadeiro — Árvores profundas não podadas particionam o espaço até nós puros, minimizando o viés às custas de uma enorme dispersão estocástica (alta variância). Como a média atua na variância sem inflacionar o viés, árvores profundas constituem os blocos construtores ideais para o Bagging.
- ✗ Falso — O sorteio com reposição faz com que cada réplica bootstrap contenha em média apenas cerca de \(63{,}2\%\) de instâncias distintas do conjunto original (o restante são cópias repetidas). Esse tamanho amostral efetivo reduzido faz com que o viés de uma árvore bootstrap seja ligeiramente superior (ou na melhor hipótese igual) ao viés da árvore treinada no conjunto completo original.
Dica(Resposta) Teste 2 — Variância de Variáveis Aleatórias Correlacionadas
- ✔ Verdadeiro — Em uma matriz de covariância de dimensão \(B \times B\), a diagonal principal contém os \(B\) termos de variância individual \(\text{Var}(T_b) = \sigma^2\), e os elementos fora da diagonal somam exatamente \(B^2 - B = B(B - 1)\) pares de covariâncias \(\text{Cov}(T_b, T_{b'})\).
- ✔ Verdadeiro — Conforme demonstrado na equação (15.1) do ESL, \(\text{Var}(\bar{T}) = \rho \sigma^2 + \frac{1-\rho}{B}\sigma^2\). O segundo termo tem dependência direta de \(1/B\), convergindo assintoticamente para zero com taxa \(O(1/B)\).
- ✔ Verdadeiro — Fazendo \(\rho = 0\) e \(B = 100\), temos \(\text{Var}(\bar{T}) = 0 \cdot \sigma^2 + \frac{1 - 0}{100}\sigma^2 = 0{,}01 \sigma^2\), o que representa uma supressão exata de \(99\%\) da variância original \(\sigma^2\).
- ✔ Verdadeiro — Para \(B = 2\) com variância \(\sigma^2\) e correlação \(\rho\), a variância da média é \(\text{Var}\left(\frac{T_1 + T_2}{2}\right) = \frac{\sigma^2 + \sigma^2 + 2\rho\sigma^2}{4} = \frac{\sigma^2(1 + \rho)}{2}\). Se \(\rho < 0\), o termo \((1 + \rho)\) é estritamente menor que \(1\), tornando o resultado estritamente menor que \(\frac{\sigma^2}{2}\).
Dica(Resposta) Teste 3 — Comportamento Assintótico e Limites do Bagging
- ✔ Verdadeiro — Tomando o limite \(\lim_{B \to \infty} \left[\rho \sigma^2 + \frac{1-\rho}{B}\sigma^2\right]\), a fração com \(B\) no denominador desaparece, restando inexoravelmente o piso constante \(\rho \sigma^2\).
- ✗ Falso — Como demonstrado rigorosamente por Leo Breiman (2001, Teorema 1.2), a taxa de erro de generalização do Bagging e de Random Forests converge quase certamente para um limite finito positivo conforme \(B \to \infty\). O aumento de \(B\) nunca causa sobreajuste; ele apenas estabiliza a aproximação numérica da esperança bootstrap.
- ✔ Verdadeiro — Estimadores lineares são pouco sensíveis a perturbações nas amostras de treino; o valor esperado da média bootstrap reproduz a média original e a correlação par-a-par fica em torno de \(50\%\), gerando ganhos insignificantes (ESL §15.2 e exercício 15.4).
- ✔ Verdadeiro — Sob perda 0-1, viés e variância interagem de forma não linear multiplicativa através do limiar de decisão de Bayes (Friedman, 1997; Domingos, 2000). Se a probabilidade estimada média já estiver no lado correto da fronteira, reduzir a variância afasta a predição da incerteza, derrubando o erro de classificação drasticamente.
Dica(Resposta) Teste 4 — O Algoritmo de Random Forests e a Quebra de Correlação
- ✗ Falso — No algoritmo original de Random Forests, o sorteio estocástico das \(m\) variáveis ocorre em cada nó de cada árvore, de forma independente a cada bifurcação, e não uma única vez na raiz.
- ✔ Verdadeiro — Breiman (2001) e Hastie et al. (ESL §15.3) recomendam \(m = \lfloor p/3 \rfloor\) com tamanho mínimo de nó \(n_{\min} = 5\) para problemas de regressão, e \(m = \lfloor \sqrt{p} \rfloor\) com \(n_{\min} = 1\) para problemas de classificação.
- ✔ Verdadeiro — Quando \(m = p\), todas as \(p\) variáveis são elegíveis em todas as bifurcações de nós, eliminando a restrição estocástica de atributos e recuperando exatamente o Bagging padrão de árvores CART.
- ✔ Verdadeiro — Com \(m = 1\), a árvore é forçada a dividir em uma variável aleatória qualquer, o que minimiza a dependência mútua \(\rho\), mas impede a árvore de encontrar cortes informativos, provocando aumento no viés estrutural e na variância individual \(\sigma^2\).
Dica(Resposta) Teste 5 — A Matemática do Bootstrap e das Amostras Out-of-Bag (OOB)
- ✔ Verdadeiro — A probabilidade de nunca ser sorteado é \((1 - 1/N)^N \to 1/e \approx 0{,}368\). Logo, a probabilidade complementar de ser selecionado uma ou mais vezes é \(1 - (1 - 1/N)^N \to 1 - 1/e \approx 0{,}632\) (\(63{,}2\%\)).
- ✗ Falso — O limite \(\lim_{N \to \infty} (1 - 1/N)^N = 1/e \approx 0{,}368\) é uma constante positiva não nula. Portanto, mesmo em bases com milhões de linhas, cerca de \(36{,}8\%\) das observações permanecem de fora de cada réplica individual.
- ✗ Falso — A predição OOB de \(\mathbf{x}_i\) agrega estritamente o subconjunto de árvores \(\mathcal{B}_i\) em cujo treinamento \(\mathbf{x}_i\) não participou (aproximadamente \(36{,}8\%\) das árvores), garantindo independência amostral.
- ✔ Verdadeiro — Como cada ponto é avaliado apenas por modelos que nunca o utilizaram durante o ajuste, a estimativa OOB não sofre de otimismo de treino, sendo assintoticamente equivalente à validação cruzada Leave-One-Out (ESL §15.3.1).
Dica(Resposta) Teste 6 — Interpretabilidade e Importância de Atributos: MDI vs. MDA
- ✔ Verdadeiro — O MDI contabiliza a melhoria total na função de perda (redução de impureza em nós de classificação ou soma de quadrados em regressão) creditada à variável \(j\), normalizada pelo número total de árvores \(B\).
- ✔ Verdadeiro — O MDA (Permutation Importance) avalia a queda no desempenho de teste corrompendo a relação \(X_j \leftrightarrow Y\) via permutação aleatória das linhas de \(X_j\) exclusivamente nas observações que não foram usadas no treino daquela árvore (amostras OOB).
- ✔ Verdadeiro — Variáveis com muitas categorias ou valores numéricos únicos oferecem mais opções de pontos de corte ao algoritmo guloso, permitindo reduções espúrias de impureza no conjunto de treino mesmo que não possuam relação causal verdadeira com a resposta (Strobl et al., 2007).
- ✔ Verdadeiro — Como a variável não possui sinal genuíno nas amostras de validação OOB, embaralhá-la não prejudica as predições do modelo; pequenas flutuações amostrais podem gerar valores ligeiramente negativos ou muito próximos de zero.
Dica(Resposta) Teste 7 — Diagnóstico Prático e Comparação de Modelos
- ✔ Verdadeiro — O abismo clássico entre erro de treino nulo e erro de teste elevado é a manifestação empírica definitiva de alta variância (sobreajuste), decorrente da flexibilidade excessiva de árvores não podadas.
- ✗ Falso — O erro de teste converge para um patamar assintótico positivo delimitado pelo ruído irredutível \(\sigma^2\), pelo viés do modelo base e pelo piso \(\rho \sigma^2\); ele nunca converge a zero na presença de ruído estocástico na natureza.
- ✔ Verdadeiro — Como o erro OOB rastreia fielmente o erro de generalização sem custo adicional a cada nova árvore adicionada, monitorar a estabilização da curva OOB é a melhor prática para interromper o treinamento de \(B\).
- ✗ Falso — Árvores de decisão realizam divisões baseadas apenas na ordenação dos valores de cada atributo individualmente (invariância a transformações monotônicas). A escala absoluta das variáveis não afeta os cortes ótimos, tornando o modelo imune a diferenças de escala.
Dica(Resposta) Teste 8 — Transferência de Conceitos: Bagging vs. Boosting
- ✗ Falso — O Bagging treina modelos em paralelo sobre réplicas bootstrap independentes. O Boosting, por outro lado, é um procedimento estritamente sequencial, no qual cada novo modelo é treinado sobre os resíduos ou pesos reajustados a partir dos erros do modelo anterior.
- ✔ Verdadeiro — Essa é a distinção conceitual primordial entre as duas grandes famílias de ensemble: Bagging ataca a variância partindo de árvores profundas; Boosting ataca o viés partindo de árvores rasas (decision stumps).
- ✔ Verdadeiro — Como cada árvore do Bagging é gerada a partir de sua própria réplica bootstrap sorteada a priori, não há comunicação sequencial ou dependência de resíduos entre os membros do comitê.
- ✔ Verdadeiro — Em Random Forests, a adição de árvores apenas aproxima a média empírica da esperança sob a distribuição bootstrap (convergência estável). No Boosting, cada nova iteração adiciona complexidade funcional ao modelo aditivo, podendo ajustar o ruído estocástico dos dados se o número de iterações não for controlado por regularização (shrinkage) ou parada antecipada.