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Brad Templeton discute os impactos de carros autônomos na vida urbana

Palestra da parceria Conexão Rio-Campinas traz um dos pesquisadores mais conceituados na área de veículos autônomos e transportes

Carros ainda não são computadores, mas estão cada vez mais próximos disso. Na mais recente live da parceria Conexão Rio-Campinas nesta quarta-feira (6), o canadense Brad Templeton deu uma palestra sobre o futuro dessa tecnologia e o que a próxima revolução dos transportes deve trazer para a vida nas cidades. A “Conexão”, uma iniciativa de parceria entre o Departamento de Informática (DI) e o Instituto de Computação da Unicamp (IC), visa divulgar o que há de mais novo no mundo da informática através de encontros com pesquisadores na área.

Com uma longa trajetória no desenvolvimento de veículos autônomos, passando por empresas como Google e Waymo, o pesquisador compartilhou novas descobertas, projetos inéditos e sua larga experiência feitas ao longo da carreira. Templeton introduziu a palestra discutindo uma tendência da computação: A Lei de Moore. De acordo com esse princípio, o número de transistores em um circuito integrado (CI) dobra a cada dois anos, fazendo com que os processadores aumentem a sua capacidade exponencialmente, e o preço até caia. “Esse princípio se aplica a quase todas as tecnologias, e com carros não é diferente”, disse.

Pondo em perspectiva o impacto do uso de veículos nas cidades, o pesquisador apresentou dados que exibem os riscos ligados à condução por humanos. Em todo o mundo, 1,3 milhão de pessoas morrem em acidentes de carro todos os anos. Esse cenário implica em um custo de 871 bilhões de dólares só nos Estados Unidos. Além do custo humano, Templeton também destacou o enorme impacto ambiental desses veículos. Segundo ele, são 8 bilhões de toneladas de gás carbônico lançados na atmosfera diariamente.

Hoje, embora empresas como a Amazon e Baidu estejam à frente do desenvolvimento de veículos autônomos, a implementação em massa dessa tecnologia ainda não está de fato ocorrendo. “A Tesla, por exemplo, não tem um carro totalmente autônomo, mas conta com opções de piloto automático para a semi-autonomia. Essa função ainda depende da atenção do motorista. Se não prestar atenção na via, acidentes ainda podem acontecer”, completou Templeton.

Buscando mudar esse cenário, a Google tem implementado um modelo de testes em uma cidade no subúrbio de Phoenix, capital do estado norte-americano do Arizona. Lá, carros totalmente autônomos, sem presença de controle por parte de um motorista ou membro da empresa, podem ser solicitados através de um aplicativo. Segundo Templeton, esse teste nunca apresentou uma única falha ou acidente. “O futuro da mobilidade pode garantir um ambiente de trabalho portátil. Sem motorista, podemos ter assentos vis-a-vis para outras pessoas e transformar uma frota de carros em uma espécie de ‘nuvem de veículos’, que são entregues por demanda, onde e quando for necessário. Esses veículos ainda se recarregam e estacionam sozinhos”, declarou. E o passageiro nem tem que se preocupar com a manutenção, a limpeza ou combustível, além de poder se ocupar com outras coisas enquanto é transportado”.

O pesquisador também explicou que essa autonomia não se aplica só a carros, mas também a aviões e pequenos veículos aéreos. Templeton destacou que em São Paulo, uma das cidades do mundo com maior uso de helicópteros particulares para driblar o trânsito, os veículos aéreos autônomos seriam capazes de transportar um número considerável de pessoas e portanto seriam uma boa solução para redução de tráfego nas vias terrestres.

“O propósito de toda uma cidade é o transporte. Você quer que as viagens sejam mais curtas para conseguir encontrar e se relacionar com outras pessoas, para chegar rápido e confortavelmente a lugares. Frisou ainda, que as cidades sempre se transformam muito com novos os tipos de transportes. No século XVIII, foram os carros, que permitiram a criação de bairros residenciais nos subúrbios. Então, com frotas de carros autônomos e “sob demanda” certamente  outras mudanças profundas deverão acontecer. A própria dinâmica do mercado de imóveis também pode ser modificada. “Nos Estados Unidos, dizemos que o valor de propriedades depende de três coisas: local, local e local. Com as transformações dos transportes, isso também vai mudar.” Eu realmente espero que, no futuro, os estacionamentos virem parques”, disse.

Ao concluir a sua fala, Templeton abriu espaço para um bate-papo de perguntas e respostas com os participantes. Respondendo questionamentos sobre as falhas atuais de transportes autônomos, o pesquisador não mediu ressalvas ao falar dos riscos que ainda existem. “Computadores são bons em muitas coisas, mas humanos ainda são melhores em prever situações e agir conforme o cenário demanda. Se uma pessoa comete um erro e toma uma multa, não há garantias de que ela não vá fazer isso de novo. Mas o robô, se ele leva uma única multa, ele nunca mais fará isso. E melhor, todos os veículos autônomos daquela empresa também deixarão de cometer esse erro Eis uma vantagem que  uma atualização de um software traz. E perguntado se carros autônomos usam Inteligência Artificial Geral, afirmou que não. São capazes de aprender sim, mas coisas bem específicas, por exemplo reconhecer pedestres ou tomar decisões rápidas para evitar acidentes. “Mas humanos ainda têm uma enorme capacidade de abstração que a máquina não possui”, concluiu.

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Autoria : Assessoria de Imprensa Corcovado